Muitos focam sua estratégia de relacionamento com clientes nas redes sociais sem considerar um ponto crucial: elas pertencem a terceiros e você não tem controle sobre elas. Muitos ainda devem se lembrar do Orkut, que hoje é passado, e da perda de relevância de tantas outras plataformas que entram e saem de cena.
Vamos a um exemplo prático: tenho uma conta no Facebook há mais de 15 anos, utilizada exclusivamente como usuário do Clube do Hipismo. Ali, só postamos mídia equestre — sem vendas, sem anúncios comerciais ou qualquer outra finalidade que viole diretrizes. Do nada, a conta foi suspensa por critérios genéricos e sem qualquer possibilidade de atendimento humanizado. Restou apenas uma inteligência artificial que, ao final, declara não ter capacidade de resolver o problema.
Isso tem impacto na disseminação de conteúdo equestre, pois tínhamos muitos seguidores na plataforma. Mas o que isso importa para a Meta? Nada. Sou insignificante dentro daquele ecossistema, não passo de um grão de areia. Isso revolta, embora não traga um impacto financeiro direto para o meu caso.
Mas e para você, que em vez de cultivar uma base própria, investe todas as fichas nas redes sociais?
Qual seria o impacto de perder o acesso à sua página ou ao seu perfil da noite para o dia, em uma plataforma que decide suspender sua conta sem explicações?
Se duvida dessa possibilidade, dê uma olhada no site do Reclame Aqui.
Esse é o grande problema: as pessoas estão convencidas de que a rede social resolve tudo. Sim, elas são úteis, mas devem ser encaradas como ferramentas para você usar, e não para usarem você. As redes crescem à medida que os usuários criam conteúdo para elas — é isso que lhes interessa. No entanto, a gestão é fria, automatizada e focada em volume, não no cliente.
Usando o Clube do Hipismo como exemplo: as redes sociais passam, mas o meu endereço, o meu site, continua firme. Dele, publico no Instagram, no Threads, no X (Twitter), no LinkedIn e em quantas outras redes eu desejar. Se todas elas acabarem ou me bloquearem, o meu endereço digital próprio continua existindo.
Vamos expandir essa visão para o empreendedor que concentrou toda a sua operação em uma página no Instagram, onde efetivamente se relaciona com seus clientes. Se, por qualquer motivo, a página for bloqueada, onde ficam esses clientes? Como dar continuidade a um relacionamento que gera receita?
Outro aspecto que acomoda muitos negócios são os aplicativos de entrega, fundamentais para a sobrevivência de setores como o de alimentação. No entanto, essas ferramentas se transformaram em estruturas estritamente logísticas onde o empreendedor é apenas mais um número. Volto ao tema: quem está usando quem?
Nesse cenário, tudo é mutável. Uma plataforma pode levar um negócio à falência pela total dependência. O cliente final, no fim das contas, não é do empreendedor, é da plataforma.
Pense nisso: é fundamental ter a sua própria “casa”. O seu cliente precisa saber o seu endereço direto, e você precisa saber exatamente quem são seus clientes. É isso que garante sobrevivência, crescimento e faturamento real.
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