Onde hoje fechou mais um comércio, há pouco mais de um ano havia uma pequena rotisseria recém-inaugurada.
Como de hábito, entrei para prestigiar o novo negócio do bairro e puxei conversa sobre o planejamento deles para a retenção de clientes. Em geral, a reação inicial costuma ser evasiva — como se eu fosse um concorrente disfarçado ou estivesse me intrometendo em segredos de estado.
Com a calma de quem vive de vendas e estratégia, expliquei que a retenção é o coração de qualquer operação duradoura, podendo assumir as mais diversas formas.
Aproveitei para introduzir conceitos fundamentais: o E.V. (Especial Você) e o KYC (Know Your Customer), ferramentas essenciais para mapear o comportamento do consumidor, gerar valor e promover o encantamento.
Nada evoluiu. Mesmo oferecendo três meses de gratuidade, tempo mais do que suficiente para um negócio nascente entender quem frequenta o seu entorno, ou entender o que deve ser melhorado, a proposta foi ignorada. O resultado? A rotisseria fechou as portas, não só por não ter os nossos serviços, mas também por isso.
No mesmo ponto, pouco tempo depois, abriu uma pastelaria. Novamente, fiz o meu papel: fui lá, comprei pastéis e saí como um fantasma, sem ser notado. Nenhum cadastro, nenhuma curiosidade sobre quem eu era, nenhuma tentativa de me reter ou encantar.
Dias depois, voltei ao local e tentei novamente abrir a conversa sobre o tema de retenção. Encontrei exatamente a mesma fisionomia: aquela expressão de controle absoluto, ares de quem sabe tudo, como se o negócio estivesse blindado contra o fracasso. Não é preciso adivinhar, a pastelaria também já fechou.
Fico me questionando: estou oferecendo uma solução simples, sem custos iniciais por três meses, desenhada exatamente para decodificar o ecossistema do bairro. Por que o pequeno empreendedor ainda é incapaz de perceber o valor incalculável de simplesmente conhecer o seu cliente?
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